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Choque cultural na Espanha: 5 costumes espanhóis que os brasileiros estranham

Vamos falar sobre choque cultural na Espanha? Ao longo do blog, a gente te conta curiosidades e características deste país europeu!

· 5 min de leitura

Vamos falar sobre choque cultural na Espanha? Ao longo do blog, a gente te conta curiosidades e características deste país europeu!


Mudar-se para a Espanha, ou mesmo passar uma temporada prolongada, é frequentemente encarado por brasileiros como uma transição suave. Afinal, compartilhamos raízes, línguas com a mesma origem e uma suposta predileção pela sociabilidade.

No entanto, é justamente nessa proximidade aparente que residem as armadilhas do choque cultural. Quando esperamos encontrar um "espelho" e nos deparamos com um "prisma" que reflete a realidade de forma distinta, o estranhamento é inevitável.

A Espanha não é um bloco único; a Catalunha difere da Andaluzia tanto quanto o Rio Grande do Sul difere do Ceará. Contudo, existem fios invisíveis que tecem a rotina espanhola e que batem de frente com o "chip" social brasileiro.

Normalmente, para o brasileiro, o tempo é fluido; para o espanhol, o tempo é sagrado.

No Blog Migra de hoje, exploramos cinco costumes que costumam gerar estranhamento na mente dos brasileiros e o que eles revelam sobre a alma ibérica. Confira!

1. A cultura das "persianas"

Diferente da França, Alemanha ou Inglaterra, onde é comum ver janelas sem cortinas e casas iluminadas para quem passa na rua, o espanhol tem uma relação quase obsessiva com as persianas.

A maioria das casas espanholas possui persianas pesadas e totalmente opacas que vedam 100% da luz. Isso não é apenas para dormir; é uma herança árabe e climática.

No verão, a persiana é baixada durante todo o dia para manter a casa fresca (a "penumbra espanhola").

Para um europeu do Norte, isso parece uma caverna; para o espanhol, é o que define um lar confortável. E é só ao entardecer, quando a luz se suaviza, que as persianas se levantam e a casa volta a se abrir ao mundo (e, confessamos, às vezes, nem assim as persianas são levantadas).

2. As festas populares (los pueblos en el centro)

Embora toda a Europa tenha festivais, a Espanha leva a festa de rua a um nível quase litúrgico que não existe em outros lugares. Não são apenas eventos para turistas; são mobilizações sociais massivas.

Todos os pueblos contam com ao menos uma festa típica anual. Além disso, algumas festas são mais famosas ao nível nacional, como os exemplos a seguir:

  • As Fallas de Valência.
  • A Semana Santa.
  • San Fermín.

3. O horário nobre das 22:00

Na maior parte da Europa, especialmente no norte e centro do continente, é comum que por volta das 19h–20h o dia já esteja desacelerando: muitas pessoas jantam cedo e as ruas começam a ficar mais tranquilas e vazias.

Na Espanha, o ritmo é diferente. Às 20h, a vida social ainda está começando, muita gente ainda não jantou, e o movimento nas ruas segue intenso. O chamado “horário nobre” da televisão, por exemplo, costuma começar por volta das 22h00, refletindo hábitos mais tardios.

Outro aspecto marcante é o caráter intergeracional da vida nas ruas. É comum ver crianças brincando em praças, famílias passeando e pessoas mais velhas convivendo em espaços públicos até tarde, mesmo em dias de semana.

Em países como Alemanha ou França, onde os horários tendem a ser mais antecipados e a rotina noturna mais reservada, esse cenário pode parecer incomum. Já na Espanha, ele é entendido como parte natural da vida cotidiana, uma cultura em que o espaço público funciona como extensão da convivência social, independentemente da idade.

4. O "sobremesa" como instituição social

Muitos países têm o hábito de tomar café após a refeição. A Espanha, no entanto, deu um valor especial à sobremesa(não o doce, mas o tempo de permanecer à mesa depois de comer).

Diferente de outras partes da Europa, onde é mais comum encerrar a refeição rapidamente para liberar a mesa ou retomar a rotina, na Espanha esse momento pode se estender com naturalidade. Não é raro que as pessoas passem tanto tempo (ou até mais) conversando após o café quanto passaram comendo.

Esse tempo à mesa é visto como parte essencial do encontro: é quando se colocam as conversas em dia, se trocam ideias e se desfruta da companhia sem pressa.

5. A herança Al-Andalus

Um dos elementos que mais ajuda a explicar algumas diferenças culturais e estéticas da Espanha em relação ao restante da Europa é o período de Al-Andalus: a presença islâmica na Península Ibérica entre os séculos VIII e XV.

Esse período deixou influências visíveis até hoje, especialmente na arquitetura, no uso de pátios internos, no trabalho com azulejos e em soluções voltadas ao clima, como a valorização da sombra, da água e da ventilação.

Também há reflexos no vocabulário do espanhol, que incorporou muitas palavras de origem árabe, frequentemente reconhecíveis pelo prefixo “al-” (ex: alcachofa, almohada, alfombra, álgebra, alcalde).

Mais do que monumentos históricos, construções como a Alhambra ou a Mezquita-Catedral de Córdoba ajudam a entender essa herança: nelas aparecem elementos como padrões geométricos, ornamentação detalhada e uma relação muito cuidadosa com luz, água e espaços internos.

Em comparação com outras regiões da Europa medieval, marcadas por estilos como o gótico e o românico, a tradição de Al-Andalus contribuiu para uma estética própria na Espanha, mais rica em detalhes, influenciada por diferentes culturas e adaptada às condições do clima local.

Realmente existe um choque cultural na Espanha?

Se o restante da Europa tende a valorizar mais a privacidade, a Espanha dá mais espaço à presença, à convivência e ao uso coletivo dos ambientes.

O espanhol não apenas “vive” a cidade, ele a utiliza como extensão da vida social. Por isso, ao cruzar os Pirenéus, a mudança não é só geográfica: ela também aparece no ritmo do dia, nos horários e na forma de se relacionar com o tempo e com as pessoas.

Mas, e aí, você acha que realmente sentiria um choque cultural na Espanha? Quais diferenças entre Brasil e Espanha você já conhece?

Se esse tipo de adaptação cultural e acadêmica desperta seu interesse, especialmente se você pensa em estudar na Espanha, entender esses hábitos é apenas o primeiro passo. O próximo é saber como se preparar de forma estratégica para entrar em universidades espanholas.

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